Técnicas não invasivas de interrogatório para detetives

O trabalho de detetive é um ofício que não se restringe a análise de evidências apenas e, inevitavelmente o profissional se vê em uma situação em que deverá realizar mesmo que informalmente ou mesmo circunstancialmente um interrogatório. A palavra em si pode causar estranheza para alguns mais jovens acostumados a seriados de televisão ou mesmo filmes de ação onde modos agressivos e pouco sutis são apresentados causando ojeriza a quem assiste. Longe disso, técnicas não invasivas se mostram mais eficientes e menos agressivas, cumprindo a função de coletar informações de maneira simples, concisa e legal.

Técnicas não invasivas de interrogatório para detetives
Técnicas não invasivas de interrogatório para detetives

Observação e competência em absorver dados e gestos

Entre as várias técnicas podemos destacar a cinestética na qual o detetive reconhece e interpreta condutas físicas e verbais, em sua concretude ou deficiência, e assim comprovar a veracidade das informações coletadas. Não é uma ciência exata, mas com a combinação de várias e diferentes reações daquele que está sendo interrogado, permitem uma interpretação razoavelmente acertada.

O meio também é a mensagem, não só o conteúdo

Um dos mais importantes fluxos de indícios está na análise metodológica no modo de falar do suspeito: dúvidas, pausas repentinas, excesso de intimidade, perguntas rebatidas com outras perguntas, começar uma frase reproduzindo a pergunta feita ou chamando o nome de Deus, são algumas dessas marcas linguísticas.

O segredo é como o interrogado reagirá às perguntas do investigador ou detetive: exemplo, ao afirmar que foram colhidas digitais dele ou que sua presença foi comprovada no local de um crime: caso não estiver envolvido no episódio, dirá que é impossível, ou ao contrário arquitetará qualquer tipo de pretexto.

O corpo fala, logo também pode ser interrogado

A observação da linguagem corporal do suspeito em indagações mais delicadas comparadas com sua reação a perguntas menos intimidadoras ajuda a traçar uma linha de reações que pode ser usada como parâmetro do grau de veracidade sobre o que está sendo dito. Cruzar os braços, coçar o nariz ou a cabeça ou quaisquer comportamentos repentinos como resposta a perguntas assim pode ser índices importantes a serem levados em conta.

Tranquilize e conquiste

Outra metodologia é a técnica Reid, iniciada com um encontro descontraído, aberto e sem incriminações que paulatinamente dá lugar a uma linha de interrogatório que progressiva em que por meio de afirmações sobre a conduta do interrogado se busca descobrir ou auferir um modo de que ele admita sua culpa ou envolvimento.

O detetive avalia o tipo de personalidade com quem está lidando e tenta induzi-la cada vez mais dar explicações sobre os aspectos que minimizam ou justificam sua participação na ação a dar mais explicações, depois de racionalizar e se perceber como incapaz de fugir das informações que ela mesma forneceu o arremate e afirmar que qualquer pessoa teria incorrido no mesmo comportamento: isso faz com que o entrevistado se sinta mais relaxado em fornecer as informações requeridas.

Se ainda persistir tal resistência, de maneira educada e sempre agradável deve-se tentar convencer o entrevistado de que não é conveniente negar seu envolvimento ou conhecimento da situação. Sempre é bom tomar cuidado com as tentativas de negar essa racionalização por meio de interrupções ou gestos, como tentar suspender o contato visual, piadas ou mesmo alguma forma de agressividade mais direta.

Essas técnicas precisam de tempo e paciência em sua aplicação e convém que detetive tenha cultivado para si o talento da paciência, da observação e da discrição.

Related Post